NOS 80...

Autor: Gilberto Amendola

Gênero: Comédia
Direção: Walter Lins
Ator: Orias Elias
Luz e Cenário: Orias Elias
Trilha Sonora e Figurinos: Walter Lins
Operador luz e som: Wagner Pereira
Produção: Cia de Teatro Encena

Local: Teatro Augusta – Sala Experimental
Dia/Horário: Sexta – 21:30H
Duração: 50 Minutos
Estréia: 15/08/2008
Temporada: até 12/12/2008
Valor do Ingresso: R$30,00 (trinta Reais)

Faixa Etária: acima de 14 anos
Contato: tel 3259-2034 / 8144-5617 / 8144-5615

Sinopse: No dia de seu aniversário de 40 anos o quarentão Brigue, enquanto espera a visita da mulher da sua vida, faz um passeio por sua juventude, vivida nos anos 80.

O Autor fala da peça

Nos 80...

Sou um imaturo.

Aos 22 anos escrevi uma peça de teatro sobre um cara que ia completar 30 anos. Naquele tempo (imaginem só), achava que completar 30 anos era o equivalente a me tornar um ancião. Tinha medo de chegar aos 30 sem me transformar em um astro do rock, encontrar uma garota legal ou ganhar dinheiro. Pois é...

Escrevi “Nos 80...” A peça tem esse nome porque a adolescência de Brigue (o tal personagem) foi vivida nos anos 80 – que, vamos combinar, foi um desastre em diversos sentidos (principalmente o estético, eu acho). Ainda assim, Brigue acreditava que, justamente, nos anos 80, ele perdeu a chance de se tornar um astro do rock, arrumar uma namorada ou ganhar dinheiro.

Quando terminei de escrevê-la tive a sensação de que tinha escrito uma comedia de humor triste.

O fato é que o tempo passou e ninguém montou o “Nos 80...” Eu mesmo estou com 32 anos e até me senti aliviado por poupar o público e os amigos deste texto.

Mas...Há poucos meses, o ator e diretor Orias Elias me ligou e dizendo que queria montar o espetáculo – só que para isso eu teria que envelhecer o personagem em 10 anos. Agora, Brigue estaria completando o seu aniversário de 40 anos.

Ok, não sei dizer não e, sinceramente, não tenho nada a perder com a montagem de uma peça que escrevi quando não tinha nenhuma noção do que era escrever uma peça. O combinado foi que eu reescrevesse o “Nos 80.”. e deixasse o personagem mais maduro.

No princípio, me empolguei com o fato que, agora, Brigue nasceria no ano de 1968 (para que em 2008 completasse 40). Esse era um bom gancho. O mundo em ebulição e Brigue de fraldas e mamando leite em pó na mamadeira.

Bem, reli o “Nos 80...” (coisa que não fazia desde muito tempo). E para a minha surpresa não consegui reescrever nada (acho que acrescentei duas ou três novas referências). Não que eu ache o texto uma obra-prima, mas alguma coisa em mim me impediu de mexer em Brigue.

Fiquei feliz e triste: Ainda tenho os mesmos questionamentos de quando eu tinha 22 anos. Sou um desastre!

Sinceramente, espero que vocês se divirtam com a minha imaturidade

Abraços

Giba

O Ator Orias Elias fala da peça

Há alguns anos, o autor Gilberto Amendola, ainda um menino, entregou-me alguns textos para ler. Foi um encontro apaixonante e produtivo: Praticamente todos os seus textos foram montados pela Cia de Teatro Encena, sob minha direção. Amendola é um autor inteligentíssimo, dono de um humor cáustico e refinado. “Nos 80...” estava no pacote, mas por ser um monólogo, acabou ficando para depois e assim, passaram-se alguns anos. Avançando pelos quarenta anos, senti necessidade de levar o texto ao palco. Para a direção, convidei meu companheiro de Cia, o ator e também autor Walter Lins e aqui estamos, mais uma vez, juntos numa empreitada.

“Nos 80...” mostra um homem romântico e imaturo, que acredita poderia ter sido muito mais do que lhe reservou o destino. O conflito homem versus destino sempre me fascinou e Amendola o apresenta de forma muito graciosa, neste texto dadaísta, uma comédia que nos faz rir, mas principalmente, refletir sobre a condução de nossas vidas.

O Autor

Gilberto Amendola é jornalista com experiência em rádio, TV, jornal, revista e internet. Atualmente faz parte da equipe de jornalistas do Jornal da Tarde, do Grupo Estado.

Atuou também como crítico de música no site Eritmo e na revista Shopping Music.

Trabalhou como ator em alguns espetáculos teatrais e no filme “A Grande Noitada” de Denoy de Oliveira.

Estudou dramaturgia com o próprio Denoy de Oliveira e com José Antônio de Sousa, com quem desenvolveu projetos para televisão.

Como autor escreveu peças para empresas entre 96 e 98 e estreou em circuito comercial com a peça “Asdrúbal C – O Viajandão”, em 1998. Vieram depois as comédias “Antibióticos”, “Espeto de Coração”, “Sex Shop Café” e “Nos 80”, todas montadas pela Companhia de Teatro Encena.

Acaba de lançar o seu terceiro livro: “Maria Antônia, a História de Uma Guerra”. É de sua autoria ainda, os livros “Meninos Grávidos” e “Assassinatos Sem a Menor Importância”.

A Companhia

A Companhia ENCENA vem desenvolvendo, desde sua fundação em 1997, um trabalho que visa analisar do Homem dentro dos contextos social e político das diferentes fases da história, estudar o efeito da passagem do tempo sobre a vida das pessoas e o inevitável confronto do Homem com o destino. Buscamos um teatro onde o espectador acima de tudo se divirta, se emocione;identifique o meio em que vive ou viveram seus antepassados; compreenda a si e seus semelhantes e tenha por fim, a esperança e a crença de que ele pode e deve melhorar o mundo.

A Cia ENCENA já produziu "Nossa Cidade" (Thornton Wilder), drama sobre a simplicidade, ambientada no início do Século XX; "O Interrogatório" (Peter Weiss), drama

que denuncia a sociedade que permitiu e permite a destruição humana em massa; "Antibióticos" (Gilberto Amendola) comédia ambientada numa festa onde diversos tipos de casais fazem seus acertos de contas; "Friquepauer Popcorne Show" (Marco Moreira e Walter Lins), comédia musical sobre dois atores desempregados que montam um show de variedades;"O Grande Amor de Nossas Vidas" (Consuelo de Castro), drama sobre a impotência de uma família de classe média diante da opressão do Estado ditador; "Espeto de Coração" (Gilberto Amendola), comédia sobre a amizade na solidão de uma metrópole; "O Mercador de Veneza" (William Shakespeare) comédia que confronta o que há de melhor e pior na alma humana, “Sex Shop Café” (Gilberto Amendola), comédia musical ambientada num espaço de convivência e “Leonor de Mendonça”, drama romântico de Gonçalves Dias, sobre a tragédia do ciúme.