Sex Shop Café

SERVIÇO

Gênero: Comédia
Estréia: 09/08/2008
Local: Teatro Augusta – Sala Experimental
Dias/Horários: Sábados 21:00H / Domingos 19:00H
Duração: 90 minutos
Temporada: até 14/12/2008
Valor do ingresso: R$30,00 (trinta Reais)
Faixa etária: 14 anos
Produção: Cia de Teatro Encena
Contato: tel 3259-2034 / 8144-5617 / 8144-5615

Autor: Gilberto Amendola
Direção: Orias Elias
Luz e Cenário: Orias Elias
Figurinos e maquilagem: Walter Lins
Operador de luz e som: Wagner Pereira
Cenotécnico: Jorge Jacques
Costureira: Ana Luz
Fotógrafo: Arnaldo Torres

Elenco: Walter Lins, Daniella Murias, Flavia D´alima, Thais Collotti, Cadú Camargo, Zulie Vieira, Jacintho Camarotto, Cláudio Bovo, Karina Mello e Orias Elias

Sinopse: “Um grupo terrorista resolve usar a estrutura de um sex shop para espalhar terror pelo Brasil, mas encontra resistência num grupo de pervertidos do bem”

O autor fala sobre sua peça

Indivíduos de diferentes matizes desfilam seus anseios, paixões e convicções por um sex shop. Esse é o princípio básico de SEX SHOP CAFÉ, uma comédia musical muito particular. Primeiro, porque faz uma adaptação estilística do musical tradicional. O que transforma SEX SHOP CAFÉ não em uma repetição da fórmula americana, mas como no jazz, num improviso sobre um estilo já conhecido.

Podemos afirmar que o próprio sex shop é o "personagem" central desse espetáculo. No cinema temos vários exemplos onde o espaço físico transforma-se no protagonista da ação: CORTINA DE FUMAÇA, BAGDÁ CAFÉ, MANHATANN. É por lá, que uma série de personagens solitários e sentimentais encontram refúgio, compreensão e até companhia.

Merece destaque a inclusão de um tema delicado e até certo ponto novo na

dramaturgia: o terrorismo. Principalmente, porque SEX SHOP CAFÉ arrisca-se

a tratar o assunto com um humor ácido e demolidor.

Só o humor vence a barbárie. É por acreditar nisso, que SEX SHOP CAFÉ trata de forma irreverente - e sem nenhum pudor -, de temas tão explosivos, como sexo e terrorismo.

Do sexo já se falou muito (e sempre vai se falar mais). Afinal, sexo é a mola-mestra de tudo. É a engrenagem que lubrifica (opa!) o mundo e as relações sociais.

Na real, sexo é o que importa, o resto é só enfeite de bolo. Política é sexo. Religião é sexo. Economia é sexo. Amor é sexo. E, finalmente, terrorismo também é sexo.

Na história, um obscuro grupo terrorista resolve usar produtos eróticos em seus ataques. Esse grupo consegue infiltrar-se em um Sex Shop e utilizar sua, vamos dizer, ”infra-estrutura”, para espalhar o terror pelo Brasil. É o orgasmo-bomba! Gozou, morreu! , afinal não existe camisinha contra o terror. O problema é que nesse inusitado sex shop existem pessoas capazes de botar medo até nos próprios terroristas. Um grupo de “pervertidos do bem” pode atrapalhar os planos destes fundamentalistas sexuais: Um gago apaixonado por uma atriz pornô, uma boneca inflável que vira gente, uma eclética cantora, uma mãe alcoólatra e um religioso proxeneta. Essas são algumas das figuras que vão passar por esse santo lugar. Quem pode mais? O sexo ou o terror?

Sex Shop café mistura sexo, terror e amor, temperado com muito humor e picardia.

SEX SHOP CAFÉ não é um musical. Pelo menos, não como os musicais tradicionais. Aqui, existe um personagem responsável pela condução musical do espetáculo. É Sônia Trevis que vai salpicar de música essa receita de sexo e terrorismo.

Típica cantora da noite, Trevis é irresistível em todos os ritmos. Vai do samba ao bolero num piscar de olhos e por sonhar em se tornar uma cantora popular, não se acanha em cantar em qualquer lugar onde haja público. Cantar num Sex Shop é só um detalhe.

No Sex Shop Café, a música dá o tom, o brilho e o ritmo do espetáculo (e das confusões).

O Diretor fala sobre a peça

Para a montagem da peça, a Cia Encena criou um autêntico sex shop, local que funciona também como um café, com apresentação de shows. Muitas pessoas têm curiosidade em saber como são esses estabelecimentos, mas têm vergonha de entrar e quando o fazem, agem dissimuladamente. Porém, ainda que o cenário possa despertar curiosidade, o foco são os freqüentadores do local, que trazem para a cena suas histórias e conflitos. São seres humanos simples, encontráveis às dúzias pelas ruas, que trazem dentro de si conflitos, medos e taras. São, acima de tudo, seres solitários, que buscam serem compreendidos e aceitos por uma sociedade que cria estereótipos nem sempre condizentes com a realidade, com conceitos morais quase sempre distorcidos. Nesse universo, aparece o comerciante que vende um produto que pode provocar a destruição, mas coloca-se na cômoda posição de não responsável pelos resultados de suas vendas, a hipocrisia da igreja que tudo justifica desde que seja em nome da fé, pais desajustados que formam filhos problemáticos, o apego a fetiches para escapar da realidade, opções sexuais e radicalismo político. O autor mistura num mesmo espaço, criaturas díspares, numa visão bem-humorada e anárquica, mas extremamente crítica e também carinhosa.

O cenário é realista, com todos os elementos que compõem o ambiente dos sex shops. Além disso, como o estabelecimento funciona como um espaço de convivência, incorpora elementos de bar e show. Os figurinos, inspirados na arte pop, com cores fortes, remetem aos filmes de Pedro Almodóvar. A trilha sonora tem estilos variados, buscando sons e musicas que agilizem a trama e potencializem a urgência dos acontecimentos. A musica é também elemento fundamental na montagem, com números musicais ao vivo, costurando as cenas. A luz vai do realismo ao fantástico, dando suporte às situações de dia-a-dia e à extravagância dos números musicais.

É, acima de tudo, um espetáculo feito para divertir, mas o espectador mais atento terá diante de si uma ferina reflexão sobre uma sociedade repressora e massacrante.

O Autor

Gilberto Amendola é jornalista com experiência em rádio, TV, jornal, revista e internet. Atualmente faz parte da equipe de jornalistas do Jornal da Tarde, do Grupo Estado.

Atuou também como crítico de música no site Eritmo e na revista Shopping Music.

Trabalhou como ator em alguns espetáculos teatrais e no filme “A Grande Noitada”

de Denoy de Oliveira.

Estudou dramaturgia com o próprio Denoy de Oliveira e com José Antônio de Sousa, com quem desenvolveu projetos para televisão.

Como autor escreveu peças para empresas entre 96 e 98 e estreou em circuito comercial com a peça “Asdrúbal C – O Viajandão”, em 1998. Vieram depois as comédias “Antibióticos”, “Espeto de Coração”, “Sex Shop Café” e “Nos 80”, todas montadas pela Companhia de Teatro Encena. Acaba de lançar o seu terceiro livro: “Maria Antônia, a História de Uma Guerra”.

É de sua autoria ainda, os livros “Meninos Grávidos” e “Assassinatos Sem a Menor Importância”.

A Companhia

A Companhia ENCENA vem desenvolvendo, desde sua fundação em 1997, um trabalho que visa analisar do Homem dentro dos contextos social e político das diferentes fases da história, estudar o efeito da passagem do tempo sobre a vida das pessoas e o inevitável confronto do Homem com o destino. Buscamos um teatro onde o espectador acima de tudo se divirta, se emocione;identifique o meio em que vive ou viveram seus antepassados; compreenda a si e seus semelhantes e tenha por fim, a esperança e a crença de que ele pode e deve melhorar o mundo.

A Cia ENCENA já produziu "Nossa Cidade" (Thornton Wilder), drama sobre a simplicidade, ambientada no início do Século XX; "O Interrogatório" (Peter Weiss), drama

que denuncia a sociedade que permitiu e permite a destruição humana em massa; "Antibióticos" (Gilberto Amendola) comédia ambientada numa festa onde diversos tipos de casais fazem seus acertos de contas; "Friquepauer Popcorne Show" (Marco Moreira e Walter Lins), comédia musical sobre dois atores desempregados que montam um show de variedades;"O Grande Amor de Nossas Vidas" (Consuelo de Castro), drama sobre a impotência de uma família de classe média diante da opressão do Estado ditador; "Espeto de Coração" (Gilberto Amendola), comédia sobre a amizade na solidão de uma metrópole; "O Mercador de Veneza" (William Shakespeare) comédia que confronta o que há de melhor e pior na alma humana e “Leonor de Mendonça”, drama romântico de Gonçalves Dias, sobre a tragédia do ciúme.